O governo interino de Honduras autorizou na manhã desta quinta-feira (24) a reabertura dos aeroportos do país, que estavam fechados desde segunda-feira, quando a volta inesperada a Tegucigalpa do presidente deposto, Manuel Zelaya, acirrou a crise política iniciada com o golpe militar de 28 de junho. Pelo menos duas pessoas morreram em virtude de conflitos de rua.
A reabertura dos aeroportos vale desde as 6h locais (9h de Brasília). O toque de recolher que valeu durante a noite também foi levantado.
A abertura deve permitir o fluxo normal dos cidadãos hondurenhos e estrangeiros que não podiam entrar ou sair do país.
O diretor da Aeronáutica Civil do país, Alfredo San Martín, confirmou à imprensa local que as operações nos quatro aeroportos do país estão se normalizando. Mas, por enquanto, apenas para voos locais.
O movimento da capital na manhã desta quinta começava a se normalizar, depois do caos dos dias anteriores, segundo a agência France Presse.
A crise política que o país vive desde o golpe militar de 28 de junho acirrou-se na segunda-feira, quando o presidente Zelaya voltou inesperadamente ao país e buscou abrigo na Embaixada do Brasil, junto com sua mulher e um grupo de partidários.
Sua volta criou um impasse político e diplomático.
O governo interino, do presidente Roberto Micheletti, quer prendê-lo por "traição", e tropas cercaram o prédio da Embaixada. Zelaya, que tem o apoio da comunidade internacional, inclusive do Brasil, quer voltar ao poder.
A pressão diplomática para resolver o conflito cresce. A ONU anunciou a retirada do apoio das eleições marcadas para 29 de novembro. O presidente Lula pediu a saída imediata dos golpistas e quer discutir o tema com o presidente dos EUA, Barack Obama. E a OEA (Organização dos Estados Americanos) anunciou o envio a Honduras de uma comissão para negociar uma saída.
Confrontos foram registrados em Tegucigalpa na terça e na quarta-feira, e pelo menos duas pessoas morreram, segundo a polícia. Vândalos aproveitaram a confusão para saquear lojas e supermercados na capital.
Diante do aumento da tensão, Micheletti, abrandou o tom do discurso e fez uma proposta de diálogo, numa declaração lida pelo chanceler do governo golpista, Carlos López. No documento, ele afirma que Zelaya é um cidadão de Honduras e que tem todo o direito de estar no país.